Por vezes o destino é como uma pequena tempestade de areia que não pára de mudar de direcção. Tu mudas de rumo, mas a tempestade de areia vai atrás de ti. Voltas a mudar de direcção, mas a tempestade de areia persegue-te, seguindo no teu encalço. Isto acontece uma vez e outra e outra, como uma espécie de dança maldita com a morte ao amanhecer. Porquê? Porque esta tempestade não é uma coisa que tenha surgido do nada, sem nada que ver contigo. Esta tempestade és tu. Algo que está dentro de ti. Por isso, só te resta deixares-te levar, mergulhar na tempestade, fechando os olhos e tapando os ouvidos para não deixar entrar a areia e, passo a passo, atravessá-la de uma ponta à outra. Aqui não há lugar para o sol nem para a lua; a orientação e a noção de tempo são coisas que não fazem sentido. Existe apenas areia branca e fina, como ossos pulverizados, a rodopiar em direcção ao céu. È uma tempestade de areia assim que deves imaginar.
Haruki Murakami in "Kafka à beira-mar"
4 comentários:
Ainda bem que decidiu fazer aquilo de que gosta ... regressar e escrever!
Passei só por dizer que "linkamos"!
E que sejas muito bem regressado :)))
Fico feliz por voltar a ter o prazer de te ler!
beijinho
Passei por cá. A ver se havia novidades.
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